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Talvez seja irônico, talvez seja diferente, talvez seja uma piada pronta: lançamos o blog da Escala em um período cujo papel da ferramenta vem sendo altamente questionado e posto à prova, sendo até acusada de morte.
O Caderno Link, do Estadão, recentemente captou o momento de autoanálise pelo qual passa a tal blogosfera e publicou um conjunto de artigos bastante interessantes que debatem o presente e o futuro dos blogs. Entre os focos dos textos está o fato de que os blogs surgiram para facilitar a autopublicação de conteúdo (ou seja, você publica direto na internet, sem a necessidade de um intermediário técnico que entende de programação).O blog nasceu como ferramenta, passou por um período de segmento (no qual poucos tinham o hábito de se autopublicar) e acabou se transformando num dos mais importantes protocolos da comunicação via internet. Hoje, quase todo mundo que acessa a internet se autopublica, seja no formato de perfis e recados em redes sociais, links ou pensamentos no Twitter, vídeos caseiros no YouTube ou fotos em álbuns digitais.
A tal morte dos blogs, desse ponto de vista, não é propriamente o fim do uso da ferramenta, mas a depuração de uma série de confusões acerca do seu conceito. A imensa variedade de abordagens no uso da “ferramenta blog” tornou quase inútil a tentativa de definir o que é ou o que não é um blog. O blog, no fim das contas, é o que o blogueiro e sua comunidade de leitores acham que ele é. O que o resto do mundo acha não interessa - caso o blogueiro e seus leitores estiverem de acordo. Essa é a essência da internet.

Mas e uma agência? Pra que uma agência precisa de um blog? As respostas podem ser muitas. Nem todas as agências têm blogs e as que têm parecem divergir em seus objetivos. Algumas dividem com o mercado (e com qualquer outro interessado) suas descobertas no que diz respeito a novidades em comunicação, tecnologia, design e artes. Outras querem contar sobre si mesmas, o que estão fazendo institucionalmente e para os clientes. Ainda há as que preferem mostrar sua rotina interna, seus gracejos, o lado B ou os “fundos do cenário”.
Passamos por todas essas possibilidades na hora de decidir fazer um blog pra Escala, e no fim decidimos que nosso lance seria gerar reflexão. No decurso de nossos trabalhos, absorvemos, analisamos e produzimos uma quantidade muito maior de informação do que geralmente aparece claramente nas campanhas. O blog da Escala existe, esperamos, para dividir um pouco desse material. Com isso, queremos ampliar as discussões no mercado e jogar na internet um pouco mais de informação pensada, não apenas recortada e colada.

Se hoje o Lula tem blog e a Petrobrás tem blog, o bom senso (e mais um monte de early adopters) diz que uma agência de publicidade, se quiser se manter à frente, não deveria ter blog. Talvez devesse ter um Twitter. Ou um set no Flickr. Ou até mesmo nada.
Nós discordamos desse tipo de pensamento. O que faz um blog, um twitter, um perfil, um set do Flickr (ou um jornal ou um programa de rádio) ser bom ou ruim não é sua ligação com o que há de mais novo, mas a utilidade e a profundidade do seu conteúdo ou da sua edição. Nosso objetivo aqui não é sermos modernos ou conservadores, mas simplesmente sermos nós mesmos. O quanto isso vai ser útil ou realmente interessante para o mundo, não cabe a nós dizer.
É você que vai decidir. |