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Na manhã de hoje, o coordenador do núcleo de economia empresarial da ESPM-RS, Fábio Pesavento, doutor em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF), fez uma palestra para o pessoal da Escala, dentro do projeto Planejamento Convida. O objetivo do projeto é levar para dentro da agência profissionais que debatam temas da atualidade. Desta vez, o tema era Como a Cultura Afeta a Nossa Economia.
Bem-humorado, Pesavento fez um passeio pelo panorama econômico brasileiro desde a instituição do Plano Real – e as consequentes mudanças na cultura e no comportamento do brasileiro. Um dos pontos mais debatidos foi a relação entre o amadurecimento do sistema financeiro nacional e a credibilidade do país no exterior. “Quando o país mantém uma política econômica coerente e permanente, sua credibilidade aumenta, o que atrai mais investimentos”.

O crescimento da renda e do emprego em 2010 será responsável pelo aumento do consumo das famílias, de acordo com a publicação Economia Brasileira em Perspectiva, produzida pelo Ministério da Fazenda. Para os técnicos do Ministério da Fazenda, o mercado interno tem garantido uma rápida recuperação da economia neste ano.
Falando sobre o momento atual da economia brasileira, de crescimento relativamente estável, Pesavento observou: “Reparem como os shoppings estão cheios, e as pessoas não estão apenas passeando. Estão comprando. E não em lojas populares, elas estão gastando mais dinheiro”. As baixas taxas de remuneração da poupança, por exemplo, são um dos motivos que levam ao incentivo do consumo: “Quando o rendimento do dinheiro no banco não é vantajoso, a pessoa prefere gastar ‘hoje’, ao passo que, se o dinheiro rende mais aplicado, o consumo é consequentemente freado”. No cenário atual, em que os brasileiros observam o aumento de renda (potencial de compra) e a queda nos índices de desemprego, a facilidade de acesso ao crédito (financiamento imobiliário e de automóveis) também incentiva o consumo.
Questionado sobre o que significa a taxa Selic para a economia, Pesavento explicou que a taxa é a média de juros que o governo paga por seus títulos. Quando a Selic aumenta, os bancos preferem investir em títulos do governo, porque pagam melhor. Quando a Selic cai, os bancos acabam emprestando dinheiro ao consumidor para obter lucro maior. No Brasil, a taxa Selic tem caído, mas ainda é uma das mais altas do mundo. Também é um instrumento usado pelo Banco Cetral para controlar a inflação. “Taxa Selic mais alta significa que há menos dinheiro circulando, gerando menor demanda por produtos e serviços à venda”, explicou.
No que se refere à taxa de juros, o economista explicou que esta também é uma forma de controlar o consumo – e a inflação.
“Claro que há um custo social para isso, mas os resultados a longo prazo valem a pena. É preciso essa dose de sacrifício para observar as mudanças que começamos a ver na economia brasileira”, opinou.
O próximo evento do Planejamento Convida será realizado em setembro, e o blog adianta: a palestra será na área de criação. |