O dia hoje começou diferente na unidade de Porto Alegre da Escala. Um grupo de Gestores e Diretores assistiu a uma palestra ministrada pela Monja Coen Sensei. O tema não poderia ser mais pertinente: trabalho em equipe – que não deixa de ser uma forma de viver em comunidade, como a que a Monja Coen orienta. Bem humorada e com uma voz aveludada, Monja Coen começou a palestra às 9h ensinando os líderes a respirarem conscientemente. A respiração consciente (inspirar profundamente e expirar lentamente) reduz a corrida mental, oxigena todas as células do corpo, situa a pessoa no local em que está e promove equilíbrio.
Depois disso, Monja Coen falou sobre a necessidade de aprendermos a conviver com a tensão entre as pessoas que trabalham juntas: “Se as pessoas estão frias entre si não há transformação. É preciso calor para poder moldar as coisas. É assim que as arestas vão sendo aparadas e as pontas se tornam arredondadas. Dessa forma, o que o outro diz me provoca, mas não me fere”.
Segundo ela, é necessário que os líderes conheçam as pessoas em profundidade, seus anseios e necessidades, para que possam gerir um trabalho em equipe. Deixar a postura do “eu” isolado do mundo e se integrar ao universo ao seu redor. “O líder acolhe todos os pensamentos diferentes e leva esse time adiante, respeitando as divergências e instigando o debate”, diz a monja. Falando especificamente sobre o trabalho da publicidade, Monja Cohen salientou que as aparências revelam nossas escolhas. A imagem que passamos, seja na escolha de uma roupa ou de um corte de cabelo, diz muito do que trazemos dentro de nós. “O líder percebe o todo dessas escolhas, desses estados de espírito, e congrega as pessoas”, diz a líder espiritual.
Monja Coen também falou profundamente sobre a raiva, esse sentimento que, nas palavras bem humoradas dela, “até os budistas sentem”. A questão, segundo ela, não é “não sentir” raiva, mas saber como lidar com ela, evitando reagir aos gestos de raiva do outro na mesma moeda. Para isso também serve a meditação. Para respirar com consciência, equilibrar-se e partir para a ação – com ponderação e calma, mas com necessidade de mudar o que está errado ou incomodando. “São Bento dizia: é proibido resmungar. E nós resmungamos muito, temos o hábito de remoer as coisas e alimentar sentimentos de raiva em vez de, no momento adequado e de forma adequada, falar com a pessoa que realmente está nos perturbando. É um hábito descarregar a raiva em nós mesmos e nos outros, que não têm nada a ver com a situação geradora daquele estado de espírito.” Quando a pessoa escolhe a resposta, ela se livra da manipulação do outro. “A capacidade de perceber nossos mecanismos mentais nos coloca no controle de nós mesmos”, ensina.
Por fim, deixou uma mensagem importante: “Cada dia eu posso fazer escolhas e me transformar. Não existe um eu fixo. A mudança é constante e permanente.”
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Em setembro, a Monja Coen estará de volta a Porto Alegre para participar de um evento também sobre liderança. Para mais informações, cadastre-se no mailing do Via Zen, centro zen budista orientado por Coen Sensei em Porto Alegre. Em São Paulo, você pode procurar os eventos do Zendo Brasil.
Algumas dicas de livros sobre o varejo que não podem faltar na sua estante!
# OS BÁSICOS
Tem 2 livros do GS&MD que eu adoro, porque ajudam a contextualizar as diferentes modalidades de varejo no Brasil e no Mundo.
- O primeiro conta a transformação do varejo nos últimos anos.
- E o segundo mostra os diferentes segmentos do varejo em números. É bem bacana, porque dimensiona o setor e os concorrentes em cada modalidade (Farma, Super, Eletros...).
- Tem também o “Varejo para a Baixa Renda”, da FGV. Ele trata de várias questões relevantes sobre a nova Classe Média Brasileira, como as BARREIRAS SIMBÓLICAS que às vezes criamos nas nossas lojas (como as portas giratórias dos bancos).
# ESTRATÉGICOS
Esses estão entre os meus favoritos. Foram indicações que peguei nas últimas edições da NRF. Eles são mais focados em posicionamento de negócio e comunicação. O segundo, tem um versão traduzida pelo GS&MD.
# ASSUNTOS ESPECÍFICOS
- O Pequeno Varejo
Esse foi outra indicação do último NRF. Achei muito legal, porque geralmente os livros trabalham com grandes cases de grandes varejistas. Esse livro é uma prova, que dá pra pensar coisas legais para o pequeno e médio varejo também! Um dos capítulos, por exemplo, conta a história da rede de colchões e móveis do Texas, Gallery Furniture, que se destaca pelo valor do relacionamento com os clientes. O presidente da empresa, Jim Mac, faz palestras em diversos eventos das redondezas das lojas e não economiza em doações de produtos para escolas, clubes e instituições nas cidades em que está presente. Ao se envolver com a comunidade de uma maneira exemplar, angariou consumidores fiéis. Para atestar que isso é verdade houve um incêndio que atingiu o depósito da rede há um tempo. Em pouquíssimos minutos, 31 carros de bombeiros pararam à frente do prédio, avisados pelos moradores. Bacana, não?
- Geração Y
Esse é o meu livro de cabeceira do momento. Estou simplesmente amando! Ele mostra como os Jovens estão influenciando e mudando a dinâmica do varejo. É muito bom.
# Aqui são apenas algumas dicas de livros, que eu considero importantes e estou sempre consultando. E fica a dica: estou sempre de olho nos lançamentos (e indicações) da AMAZON e da NRF. São duas ótimas fontes de informação. Um detalhe: na Amazon é bem importante olhar a avaliação dos últimos compradores, porque têm vários livros do estilo “Monte sua própria loja” com títulos bem criativos, que podem sugerir uma publicação mais estratégica.
Boa leitura!
*post originalmente publicado no Chmkt em 21/7/10.
Neste mês, começamos mais um projeto interno da Escala: “Planejamento Convida”. O objetivo é abrir um espaço de discussão sobre os mais variados assuntos, que de alguma forma estão impactando na área de comunicação ou na cultura.
Nosso primeiro convidado foi o Rodrigo Link Federizzi - Bacharel e Mestre em Física pela UFRGS, que está atualmente desenvolvendo seu Doutorado em simulação computacional de nanomateriais. Ele tem 28 anos e recentemente abriu uma empresa, que presta serviços de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação na área de Física para empresas e indústrias.
Ele veio nos contar como a Nanotecnologia está impactando as nossas vidas, através do desenvolvimento de novos produtos e novos materiais. Está preparado? Veja as principais mudanças que já estão acontecendo.
“O aniversário é nosso, mas quem ganha o presente é você”. Eu tenho certeza que você já ouviu essa chamada antes. Por mais clichê que seja esse caminho, parece ser o segredo da estratégia de uma campanha de aniversário de um varejista. Mas será que dá pra fazer diferente? Se vc for pensar friamente, essa é uma data que é complicada mesmo.
Pensando o lado do varejista, é uma data muiiiito importante, e pode ter 3 objetivos:
- criar um assunto/uma novidade em torno da marca;
- valorizar e celebrar um momento importante para o público interno;
- gerar “goodwill”.
E para o consumidor? Mesmo que a pessoa tenha alto envolvimento com a marca, a data não tem a mesma importância (sim, parece óbvio, mas não é!), além de ser difícil de medir o real impacto que a ação terá. Por isso, a cada ano vemos diferentes formatos, investimentos e políticas de aniversário. Escolhi algumas, que de alguma forma fizeram algo diferente:
PROMOCIONAL
Esse é o modelo mais tradicional: entregar um benefício concreto ao consumidor. Mas quem disse que precisa ser puramente racional?
- “Don’t Ask The Price, It’s A Penny”: M&S
Em 2009, a rede londrina Marks & Spencer comemorou seus 125 anos, retomando o posicionamento de 1884 da loja: a “Penny Bazaar”. Para isso, colocou 2 milhões de produtos a venda por 1 CENTAVO! E todo o valor arrecadado com a venda foi revertido para uma instituição de caridade local. Não é apenas uma promoção de R$0,01, também é um resgate do histórico da marca!
- “Celebremos Juntos”: Falabella
Para comemorar seus 120 anos, a rede chilena sorteou a cada 2h uma compra grátis no site. A ação é bem simples, mas achei bem interessante. Eu tentaria uma compra certo!
- Luckcy Line: Uniqlo
Em 2009, a varejista (e minha marca preferida) Uniqlo fez uma promoção um pouco mais tímida, mas não menos interessante: para comemorar seus 25 anos, foram 25 promoções em 25 dias. Em 2010, a estratégia comercial foi mais simples, mas a mecânica sensacional. Acho que todo mundo ficou sabendo da Uniqlo Lucky Line: através do site (uniqlo.com/jp/#line), a marca conseguiu criar uma fila online. A cada 26 pessoas na fila, a Uniqlo sorteava um cupom de desconto de U$11 dólares para gastar na loja. A ação era restrita aos moradores do Japão, mas todo o resto do mundo ficou sabendo! Sensacional.
PROJETO SELFRIDGES
Ano passado, a marca comemorou 100 anos em grande estilo. Foi um ano inteiro de comemorações, divido em 4 tipos de ações:
- Produtos exclusivos com sua famosa cor (Pantone 109 yellow ): co-branded com outras marcas consagradas e estilistas, com edição limitada + Loja conceito 109 Store (onde você pode encontrar todos esses produtos reunidos).
- Eventos para os clientes na loja e a Exposição da Sacola-ícone da marca.
- Vitrines + Vitrines + Vitrines: foram 3 modelos de vitrines, brincando com passado e futuro da marca.
#1. Começou contando sua história através das vitrines
#2. Como serão nossas vidas daqui há 100 anos? “This is the future. Insane and Ingenious; sublime and ridiculous"
#3. E mais futuro: produtos de A-Z que serão criados em 2109. Tempo? Quem sabe...
- Tudo, tudo, tudo registrado e disseminado em redes sociais
Inspirações, inspirações, inspirações para pensar essa data com um novo olhar. Mas o que todas têm em comum? Um bom planejamento aliado a estratégia maior da marca. A ação da Uniqlo Line, por exemplo, poderia ser feita em qualquer ano ou para qualquer data promocional, que seria tão pertinente quanto. Então, tá na hora de assoprar a velinha? Fica a dica: esqueça a data comemorativa e pense numa ação aliada ao posicionamento da marca, de forma promocional ou não. Esse parece ser o caminho para fugir do óbvio (e da primeira frase desse post!).
*post originalmente publicado no Chmkt em 14/7/10.
Decidida a fazer este post, fui atrás de todas as referências que saíram na internet sobre o varejo em Cannes. Fui à minha lista de favoritos e comecei a pesquisar. Nos blogs e portais de varejo- nada. Nos sites de comunicação – quase nada. No AdAge e no Meio&Mensagem? Comentários sobre a palestra da Uniqlo. Nem no Creativity Online tinha muito destaque. Parece que tem tanta coisa legal sendo produzida, que o varejo ficou em segundo plano. Então, eu comecei a pensar: será que estando em Cannes eu teria essa mesma percepção? Será que não teve nada que encantou os participantes/jurados dessa edição?
Ok, nada também é demais. Mas encontrei apenas dois cases que tiveram maior visibilidade nas grandes premiações e nos principais sites de comunicação. São eles:
1. Best Buy : Twelpforce
A Best Buy, como todo mundo já sabe, conseguiu gerar um diferencial dentro do seu segmento (que realmente é muito difícil, já que as concorrentes vendem EXATAMENTE os mesmos produtos e marcas). As diferenças são muito sutis e sempre parecem ser menos importantes do que a oferta do momento. Mas com uma causa forte e o foco na dobradinha serviços (Geek Squad) + mentalidade digital, elatem feito um trabalho magnífico. Tanto é que, a cada ano, cria mais uma forma, uma nova ferramenta, para essas entregas se tornarem realidade. Esse é o caso do Twelpforce: “A collective force of Best Buy technology pros offering tech advice in Tweet form”. É a interação mais básica entre marcas e consumidores - que querem tirar suas dúvidas, reclamar ou pedir ajuda - organizada em uma ferramenta bem simples e fácil de usar, 24 horas/7 dias por semana. Genial! Achei legal complementar com esse vídeo, que é um pouco antigo, mas mostra bem o caminho que a marca está construindo:
2. IKEA: Facebook Showroom
IKEA dispensa qualquer comentário. Agora, esse é um daqueles cases que você pensa: como eu não tive essa ideia antes! Para promover a inauguração da loja em uma nova cidade, a agência sueca Forsman & Bodenfors criou uma ideia muitooo simples (mas genial) no Facebook. Eles criaram o perfil do gerente da loja, que adicionou várias fotos do Showroom. A primeira pessoa que colocasse o seu Tag na foto, ganhava o produto. Sim, that easy. Não preciso dizer que foi um sucesso!
Mas é claro que outros varejistas também foram premiados. E procurando entre os ganhadores no próprio site do evento, achei outros trabalhos muito bacanas!
NA CATEGORIA FILMES
Encontrei a segunda edição de duas campanhas já premiadas no WORLD RETAIL AWARDS DE 2009 (que também ganharam em outras categorias em Cannes):
- RETURN TO THE DOGHOUSE: Uma super ação de cumplicidade da marca JcPenney. As mulheres enviam os homens para a “Casa do Cachorro” toda vez que fazem algo errado, como por exemplo, dão presentes ruins ou falam alguma besteira. O site também dá dicas de como não entrar na DogHouse, que obviamente é comprando presentes na JcPenney. Na nova versão da campanha, os homens são reavaliados pelo seu comportamento.
- YES, VIRGINIA: Uma ação da Macy’s para tentar resgatar o espírito do Natal dos americanos. A campanha é baseada em uma história real de uma menina (a Virginia) que queria saber se o Papai Noel realmente existia. A Macy’s então desenvolveu uma super ação para que, todos juntos, provassem a Virginia que o Papai Noel realmente existe. Em 2009 a campanha teve uma evolução bem interessante.
E também esta lindíssima campanha da John Lewis: Always a Woman.
Esse super projeto para o lançamento da Flagship Store da Nike em Harajuku (Japão) - NIKEID. GENERATOR. Através do uso da webcam, o site reconhecia as principais cores da imagem, e transportava as mesmas para o produto. Muito bacana! Esse foi um dos trabalhos que mais gostei. Uma interação entre a loja online e física muito legal, pensando muito na cultura local. Já havia sido desenvolvida uma ideia parecida para outra cidade.
NA CATEGORIA PRESS
E, por último, essa campanha , beeeem ousada da varejista online Dixons.uk.co . Essa eu fiquei de queixo caído. Preste atenção na assinatura da marca: “the last place you want to go”.
Então, o varejo pode até ter ficado apagado, mas é fato que tem muita coisa legal sendo produzida. Desde conseguir enxergar a promoção de uma maneira diferente até gerar um projeto que derruba as fronteiras entre o online o offline. Muito bacana. Será que resta alguma dúvida que dá pra fazer algo diferente e relevante no varejo?
*post originalmente publicado no Chmkt em 30/6/10.